Minha mãe chegou em casa com a revista "PROJETOS ESCOLARES - CRECHE - De o a 3 anos" e tem mta coisa interessante por lá, apesar de a Sofia não estar mais nessa idade. Uma das reportagens me chamou mta atenção, pois é algo que eu ainda sofro com a Sofia: a agressividade. Sendo assim, transcrevo aqui a matéria pra vcs poderem ver tbm.
AGRESSIVIDADE TEM JEITO!
Projetos Escolares - A agressividade em crianças de 0 a 3 anos é comum? Por que?
Francisca Lucia Carlota de Araujo - Sim,a té porque as primeiras manifestações acontecem quando ainda estão na barriga da mãe, ao fazerem movimentos bruscos com os pés. E intensificam por volta dos dois anos de idade, quando a criança apresenta atitudes agressivas ao bater os pés, gritar e chorar para conseguir algo. Esse comportamento é denominado manipulativo, isso é, ela agride para alcançar determinados fins. Essa agressividade poderá aumentar no decorrer dos anos, manifestando-se através de arranhões, puxões de cabelo e até ataque aos pais.
Vale ressaltar que a criança pequena, independente da educação que tenha, começa a ter atitudes inatas e instintivas, que surgem aos dois e três anos e estão visíveis através do brincar. Portanto, é preciso buscar reflexões sobre o papel da família, escola e sociedade frente ao problema.
É importante destacar que tanto pais como educadores são de grande importância para um processo sadio de desenvolvimento da criança. Entretanto, encarar a agressividade chega a ser uma tarefa árdua, pois exige do professor controle, tolerância, afetividade e, principalmente, conhecimento para compreender o comportamento inerente a cada fase do desenvolvimento infantil.
P.E. - Como o educador deve trabalhar isso em sala de aula?
F.A. - Ao se deparar com crianças agressivas, o professor precisa ter consciência de que a agressividade é um fator no processo de crescimento do indivíduo, que a utiliza como forma de reagir frente ao mundo. É essencial saber identificar quando o comportamento agressivo é passageiro ou um transtorno de conduta. É de extrema importância que o educador convoque a família (pai, mãe, irmãos ou responsável) objetivando conhecer como é o convívio da criança no contexto familiar e social, para então desenvolver estratégias e ações que venham a favorecer e amenizar o problema. Cabe ao professor conduzir a criança de modo a evitar condutas agressivas socialmente condenáveis, proporcionando oportunidade de socialização, tais como atividades lúdicas com jogos, brincadeiras nas quais todas as crianças da sala possam aprender a conviver em clima de paz, tendo o cuidado de não rotular a criança de indisciplinada e agressiva.
P.E. - As meninas são menos agressivas ou não existe essa relação?
F.A. - Existe a ideia de que os meninos são mais agressivos devido ao fator biológico, por se tratar do sexo mais forte. Como educadora e lidando com crianças pequenas já vários aos, percebo que não existe essa diferença. Já tive alunos do sexo masculino com comportamentos exemplares, amáveis, amigos e sem nenhuma atitude agressiva, e outros bastante agressivos. O mesmo pude observar em alguma meninas. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revelou que as meninas podem ser até mais hostis que os meninos. Afirmo que a agressividade infantil não é inerente apenas a crianças de classes menos favorecidas, apesar do índice de agressividade mais alto neste grupo.
P.E. - A agressividade tem relação direta com o ambiente em que a criança vive?
F.A. - O tema agressividade envolve muitas variáveis, porém é necessário que pais e educadores entendam que o comportamento agressivo não surge do nada. Ele é construído da interação social, lembrando que devemos discernir o que é inerente a determinada faixa etária e o que está fora dos padrões aceitáveis. Há uma série de condutas dos pais que podem ser consideradas de risco, desencadeando o comportamento agressivo. A violência doméstica é um fator que pode exercer uma influência decisiva no comportamento. A escola, por sua vez, pode contribuir consideravelmente para o problema, pois professores excessivamente autoritários podem desencadear sentimentos de hostilidade em seus alunos. Enfim, a familia, a escola e a sociedade precisam refletir quanto ao seu papel para formação do ser em desenvolvimento.
Crianças que assistem cenas de violência em casa e que são vítimas dos pais e familiares podem aprender que essa é uma forma aceitável e normal de lidar com a raiva e com as frustrações. Essas crianças, ao chegarem à escola, logo se destacam por diversos episódios de violência contra colegas, seja fisicamente ou verbalmente. Geralmente é na hora do recreio e também na própria sala de aula, pois a interação social fica bastante comprometida e conturbada.
Muitos pais ainda se justificam dizendo que seu filho precisa apanhar para se tornar uma pessoa melhor, achando que a violência pode adiantar na educação e na formação do caráter. Mas, ao contrário do que muitos pais pensam, essa forma de tratamento pode gerar muitas dificuldades na vida da criança - e por que não dizer - na vida do futuro adulto. Pais que adotam a violência passam a mensagem de que tudo pode e deve ser resolvido na base da força. Não esquecendo de dizer que essa prática afeta diretamente a aprendizagem, causando diversas dificuldades que são detectadas logo que o pequeno ingressa na alfabetização.
P.E. - Como controlar a birra para que ela não se transforme em atos violentos?
F.A. - A birra é uma demonstração de raiva, irritação ou insatisfação com algo e pode acontecer em qualquer época iniciando entre um ano e meio a três anos de idade. Nessa fase, a vontade própria já começa a se manifestar e, como não domina a linguagem oral, a criança manda mensagem com o corpo através de gritos e pontapés.
É importante que os pais tenham autocontrole, muito embora seja difícil manter a calma diante de uma criança em crise de birra, pois, de certa maneira, a criança testa o controle dos pais. Geralmente, alguns pais sentem-se culpados por deixar a criança sozinha por muito tempo porque precisa trabalhar e acabam cedendo aos caprichos. Outros chegam em casa com o nível de estresse elevado provocado pelo dia a dia, perdem a paciência diante do berreiro do filho (a) e acabam usando a violência - muitas vezes até física - para combater aquele episódio.
DICAS PARA PAIS E PROFESSORES DE COMO LIDAR COM A AGRESSIVIDADE INFANTIL:
- Como Lidar Com a Birra:
Tente manter o controle;
Converse com a criança depois que o episódio passar (lembrando que até os dois anos a via de comunicação verbal ainda não está totalmente estabelecida);
Antes de ir a uma loja ou a um supermercado, fale para a criança que ela pode escolher, por exemplo, um doce;
Não brigue na frente das outras pessoas;
Não bata na criança, evitando assim a canalização da violência;
Não use palavrões para confrontar;
Tente não ceder à pressão mesmo que você se sinta culpado por algum motivo;
Nunca deixe de demonstrar seu amor, pois a criança poderá estar chamando a sua atenção.
- Pais:
Não grite com a criança;
Fale em tom de voz firme;
Dê atenção e pequenas recompensas (beijos e carinho para comportamentos corretos);
Selecione as amizades;
Só utilize castigo em último caso (menos castigos físicos);
Acompanhe o dia a dia da escola;
Não incentive seu filho a revidar agressões;
Evite palavrões em casa;
Evite brigar com o marido ou a esposa na frente da criança;
Dê bons exemplos.
- Professores:
Aproxime-se da criança;
Dê oportunidade para a criança falar sobre os seus atos;
Não exponha a criança diante dos colegas;
Proporcione atividades lúdicas representando conflitos do dia a dia;
Converse com os pais da criança;
Não estimule a criança a revidar atitudes violentas;
Proporcione brincadeiras nas quais aconteça contato físico;
Designe tarefas;
Valorize as boas atitudes da criança;
Controle seu tom de voz.
- Diálogo:
No momento da agressão, sua ação deve ser imediata: pare o que estiver fazendo, abaixe-se ao nível do aluno, questione o porque daquela atitude, se está certo, faça-o pedir desculpas e questione se gostaria que tivesse sido ele o agredido, qual seria sua reação, fazendo-o refletir sobre a atitude correta.
ATIVIDADES PARA ESPANTAR A AGRESSIVIDADE
- Massinha de Modelar: utiliza-se a massinha ou a argila, dando à criança uma quantidade que caiba na palma de sua mão, para que possa senti-la inteira, amassá-la etc. Deixe que a turminha manipule-a livremente por alguns minutos, incentivando movimentos vigorosos, provocando a destruição do material e depois a construção de algum objeto, uma cobrinha, bola, etc. O objetivo é fazer a criança perceber o sentimento destrutivo (raiva, medo etc) e transformá-lo em construtivo (confiança em si, segurança etc).
- Brincar com Boneca: proponha aos pequenos que peguem uma boneca e cuidem dela como filhinhos, deem banho, troquem fraldas e façam muitos carinhos. Depois, peça que formem duplas e repitam os gestos de carinho que fizeram nas bonecas, agora com o amigo. Após a vivência, realize uma troca de idéias, reforçando a necessidade de se fazer carinho nas pessoas. O objetivo é mostrar a importância do toque nas pessoas e de um bom relacionamento com o grupo.
- Jogo das Expressões: faça várias carinhas em cartolina, com expressões faciais que demonstram sentimentos de tristeza, alegria, raiva e algumas em branco. Convide o aluno a escolher uma carinha que demonstre como ele sente-se naquele momento, deixando-lhe tempo para explicar o porque dele sentir-se desta maneira. A criança pode também optar por uma carinha sem rosto e dizer um novo sentimento, abrindo espaço para discutir quem já sentiu, como foi, etc. O objetivo é nomear os sentimentos que a criança tem e poder conversar e compartilhar com seus amigos sobre as causas desse sentimento e ser orientado quando necessário.
- História de Contos: Você pode utilizar contos clássicos para colocar em pauta as emoções e reações que temos e qual a melhor maneira de agir. Na história da Bela e a Fera, por exemplo, você pode abordar o sentimento raivoso da Fera, que vai se modificando conforme vai recebendo atenção da Bela, transformando-se em um belo príncipe. Em muitas histórias em que o personagem do mal sofre uma punição (lobo mau, bruxa, madrasta, etc), pode-se sugerir outro final, no qual ele transforma-se em um personagem do bem e todos tornam-se amigos. O objetivo é mostrar os sentimentos que existem, nomeá-los e mostrar que podem modificar-se se tomadas as atitudes corretas.
- Brincadeiras de Roda: a maioria destas brincadeiras possui músicas que sugerem gestos entre as crianças, como abraços, beijos, etc. Após a brincadeira, realize a troca de ideias sobre a importância de ter ter amigos e como devemos agir com todos, reforçando atitudes de carinho e respeito com o próximo. O objetivo é reforçar atitudes positivas nas crianças, colocando-se disponível para ajudar quando sentirem-se com raiva ou tristes com algum colega.
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