A Dádiva do Respeito

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tô lendo um livro MUITO BOM que se chama "Caminhando em Família", da Rita Foelker. Já aviso: é espírita. Mas é um ótimo livro!
Eu fico pensando que às vezes nossas crenças nos impedem de receber coisas maravilhosas! Este livro tem ensinamentos fantásticos e eu já quis postar muitos capítulos dele aqui (aliás, foi por causa dele, principalmente, que eu abri esse blog).
Penso, sim, nas pessoas que tem crenças diferentes da minha. Por isso já avisei logo que se trata de um texto espírita. Mas que vale MUITO a pena ser lido, ok?!
Vamos lá?

"A DÁDIVA DO RESPEITO
Quem se habilita a ofertar à criança uma página, um verso, um dizer - que o faça com a unção de quem deposita flores no altar de uma alma... Cecília Meireles

Quando, trabalhando entre educadores, perguntamos qual a característica pessoal mais importante para quem deseja educar, a resposta mais comum é: amor.
Não sei se realmente sabemos do que estamos falando ao dizer isto, porque as interpretações dadas a esta palavra são muito diversas e até contraditórias. A superproteção, o mimo, o controle, a invasão de espaço vital têm sido confundidos com o amor de verdade.
Mas, mesmo assim, concordo com a resposta.
Contudo, principalmente por não compreender o amor, facilmente nos esquecemos de um outro sentimento, que deveria estar incluído nele, mas que, nas confusões de entendimento, fica esquecido: é o respeito.
Eis o que nos diz Cecília Meireles, através da imagem de um altar sobre o qual se depositam flores: é preciso ter respeito - reverência, até - perante a inteligência e o sentimento da criatura eterna que, circuntancialmente, se apresenta a nós na frágil roupagem da infância.
Esta é uma advertência muito pertinente nos dias de hoje, onde tanto se produz para a criança, identificada como parcela de mercado consumidor e fonte de lucros para grandes empresas. E o mês do Natal parece-me propício a esta reflexão.
Será que as músicas, programas de TV, brinquedos, revistas e livros que, num primeiro momento, pelo colorido, pela sonoridade, pela apresentação, parecem adequados à criança, estão respeitando sua inteligência e sensibilidade?
Às vezes, sim; às vezes, não...
"Ah! Mas temos que dar o que elas gostam" - justificaria alguém.
Então os adultos veem que elas parecem gostar de dançar ao som de músicas medíocres, de assistir desenhos bobos ou que mostram agressividade em excesso e colaboram com isto, comprando CD's e revistas dos personagens. E ficam admirados ao ver que elas conseguem guardar os nomes de todos os "poquemons"!
Nós dizemos que as crianças gostam de muita mediocridade televisiva e musical, porém, o que mais, nós, adultos, lhes proporcionamos? Quais as alternativas que nós lhe oferecemos?
Será que elas têm chance de ouvir também Tom Jobim, Milton Nascimento, ou algum clássico (não muito "pesado") como Mozart ou Vivaldi?
Dizemos que crianças não gostam de música clássica, mas quando é que elas tem chance de ouvir, de conhecer, de fazer contato com a boa música, se a música que tocamos para elas é quase sempre ruim?
Assim também com a arte. Uma das boas lembranças de minha infância é que meu pai tinha o hábito de me levar a museus e exposições de arte. Quando ele não convidava, eu pedia. Ele notava que eu tinha vocação para o desenho, para as artes visuais, então ele fornecia elementos para o intelecto, a sensibilidade e a imaginação.
Na verdade, nós, adultos, condicionamos as crianças a gostarem de um determinado tipo de entretenimento, quando não lhes damos escolha.
Não se trata de fazer o filho sentar na sala e colocar um CD clássico, porque isto pode ser muito chato para ouvidos desacostumados. Mas por que não fazer a boa música soar em nossos lares, nos momentos de descanso ou das refeições? Por que não acompanhá-los a bons espetáculos infantis e, mesmo, a alguns concertos? Por que visitar galerias e exposições não pode fazer parte de nossos programas com as crianças?
Diante de nós há um Espírito sedento de evoluir. Por que ele sabe tanto a respeito dos personagens preferidos? Porque tem inteligência e exercitá-la é um imperativo da Lei da Evolução. Ele pode aprender sobre qualquer coisa que estejamos dispostos a ensinar-lhe, no tempo que temos, no tempo da infância, em que tanto esperam e precisam dos pais.
Então, na hora de comprar-lhe um presente, consideremos o que ele realmente representa para nós e o que queremos representar em sua vida imortal. Ofertemos algo digno do nosso mais profundo amor por ele, sem cair nos modismos que vem e vão. Lembre-se de que, melhor que todos os presentes, é a gente ser lembrado e tratado com respeito."

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